domingo, 19 de novembro de 2017

Frenesi



Em uma madrugada insone, tomada pelo calor alimentado em pensamentos lascivos pretenciosos
Ordenei palavras compondo devaneios e revivendo memórias insistentes em torturar minha mente inquieta
Procurei em meus emaranhados de lençol arrancados da cama em voraz desejo os fragmentos de tecido que me envolvem em úmida e integral volúpia
E em meus frascos de vida os aromas dos momentos degustados em inexplicável intensidade e prazer
E os meus versos se compuseram enquanto alucinações me tomavam as entranhas e me consumiam feito uma chama ardente

Perdi-me completamente em dimensões além e aquém do tempo e do espaço
A partir do momento em que me tocaste
Com teus invasivos e protetores olhos brilhantes,
com teu calor, com tua boca, com teu corpo, com todo teu ser...
Envolve-me em plenitude, em êxtase e em fúria
Faz-me querer invadir cada camada da tua alma
E inundar cada pedaço teu com infinita felicidade

Transcreve-te em mim como perfeita empatia
E concluo sem rodeios que eu te amo...
sem limites, sem pudores, sem inquirições.


GAK


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Da alma branca dos que tem saudade

Da alma branca dos que tem saudade
brotam luzeiros pra clarear o dia
E na madrugada junto a um fogo grande
repontam a querência que estava vazia
E se repetem por saberem o rumo
que a vida toma por andar vadia

Nem mesmo o tempo por ter contratempos
reconhece o sonho entre os temporais
Que a alma inventa cada vez que a gente
se perde de um jeito de não se achar mais
E se desespera por saber que a espera
pode ser pequena ou não findar jamais

Cada vez que a alma por não ter morada
acha novo ninho pra pousar as asas
Uma outra alma oferece abrigo
que a gente às vezes o transforma em casa

E quando então uma saudade fica
junto a um fogo grande pra soprar as brasas

E a gente chora de chover por dentro
por mais que essa dor nos siga as pegadas
Nem mesmo que a chuva com suas nuvens negras
apague seus rastros que marcaram a estrada
Daí então meu rumo possa ter destino
de vencer distâncias e topar paradas

E da alma branca dos que tem saudade
o que a gente então pode perceber
Que a luz dos olhos pode ser o brilho
que vamos tentando em vão esconder
Pois quem tem os olhos de olhar por dentro
reconhece a alma por saber querer


Luiz Marenco



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Anjo caído (soneto)

Eu posso sentir a tua dor febril
O fogo indócil que te consome
As faíscas que derretem-te os olhos
E te fazem morrer em teu silêncio

Com asas cansadas e alma partida
Em constante conflito com o efêmero
Com todo o peso do mundo nas costas
Mundo desprovido de coração

Vestindo-te de encanto e de tormento
Instiga-me a revelar ansiosa
A paz escondida no teu sorriso

Descrever teu sorriso requeriria
Desmembrar a grandeza do infinito
Uma soberana imensidão de Luz



Gabriela Antes Kuhn

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Anteamanhã



A lua pálida, toda engomada e risonha
Chamou-me às janelas de contemplação

As estrelas caminhando por seus universos
Vestiam seus diamantes e pratas ofuscantes
Árvores sussurravam vida por entre os cabelos

Pus-me a desenhar o movimento da dança

Pelo que ando na direção contrária do sentido
Pelo que sinto em turbilhão cada segundo não vivido
Pelo que existo em cada silêncio não emudecido

Em meu delírio sou um anjo negro a proteger
teu sono em plenitude taciturna
teu caminho da incógnita noturna
tua alma da finitude soturna

E aqui transbordo os méritos da minha insônia

Pertence a mim a tua parte perdida.

GAK.


sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Desejos

Se realmente quer que alguém lhe queira
Dê a este alguém o que ele realmente quer
Jamais tente obrigá-lo a querer
O que você quer
O que você queria que ele quisesse...

Queira querer menos
Queira poder mais.

GAK


quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Eu não sei o que é o amor, mas vou escrever uma poesia





Um dia eu te amei como amei chuva que em mim transbordava os rios
Mas o que amei, de fato, era o refresco das gotas na minha cabeça ardente.
Um dia eu te amei como amei o vento que me bagunçava os cabelos
Mas o que amei, de fato, era o balanço frígido do furacão da minha alma.
Um dia eu te amei como amei o chão da minha procissão infernal
Mas o que amei, de fato, eram as tilomas dos meus pés e o sangue quente da minha cólera.
Um dia eu te amei como a passagem psicodélica para a minha quase morte
Mas o que amei, de fato, era uma aventura dopaminérgica extraordinária e desconexa.

Então, já que não sei o que é o amor, vou terminar a poesia:

Amo-te como amo a mim
E não como a você
E isso me exaure de interjeições

GAK